domingo, 4 de março de 2012

Volta ao mundo em... 12 dias

Em 2004 dizia-se que a Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim (2008) ia ter lugar no dia 8 do mês 8, às 8.08h. Curioso, o número oito é o número da sorte dos chineses. Quase que arrisco duas coisas: o Futre não sabia desta; o Jorge Jesus não tem sangue chinês.
Oito pontos. Oito pontos foi o que o SL Benfica perdeu nas últimas três jornadas para o FC Porto. Bom, vamos lá ao Clássico.
Poucas surpresas nas escolhas dos treinadores. Benfica com o 4.3.3 conservador, aquele que costuma oferecer os melhores resultados, optando por sentar Rodrigo. Vítor Pereira escolheu Djalma para substituir Varela e manteve Maicon na lateral direita.
Como era de esperar, os dragões entraram mais forte, o tal estofo que costumam ter a mais que todos os demais. Uma bomba de Hulk aos 7´ desbloqueou o resultado. Ainda hoje tentam convencer-me que o Artur não foi mal batido e que o remate foi digno de um super Sanchez ou a versão avançada de um Isaías. O local do remate e a alegada (aos meus olhos) lenta reacção de Artur leva-me a crer que podia ter sido feito mais. Mais Porto, mais estofo. O costume. O golo ajudou a equipa a assentar o jogo e a dominar. Muito pouco Lucho e um bom Fernando, e um sempre dinâmico e jogadorzaço Moutinho. No Benfica, o problema era Aimar estar demasiado longe da bola, voltou a posicionar-se muito perto de Cardozo, e fica claro que em grandes jogos Witsel não assume a bola e torna-se num jogador mais físico, mais recuperador. Estando Aimar longe do jogo, o Porto fazia subir Lucho e Moutinho para bloquear as saídas de bola de Witsel e Javi e estava meio caminho andado para dominar o jogo. O jogo do Benfica tem vários problemas: Emerson é o mais grave. Uma nulidade, defende mal, tem medo de ter a bola no pé, "não tem sangre" (como diria um bom amigo...), é um bom aliado dos médios direitos. A culpa não é dele, é de quem o contratou, é de quem o coloca a jogar. Mas, admito, esperava-se mais de um jogador que foi campeão pelo Lille no ano passado. Depois, Gaitán. Uma sombra do que já foi, provavelmente com a cabeça noutro local, possivelmente já assinou contrato com um dos colossos de Manchester. Não merece jogar. Finalmente, o tal problema de Aimar estar demasiado longe do jogo e a fluidez da saída de bola não surgir. No Porto, Djalma é o elo mais fraco. É verdade que não fez um mau jogo, mas não tem qualidade para jogar neste FCP. O outro problema, é James não ser titular. Ok, não vou fazer outra declaração de amor pelo futebol do mágico colombiano. No entanto, acho que depois do jogo na Luz, Vítor Pereira está convencido, James será titular. Palpite. A partir dos 20´ o Benfica equilibrou o jogo e a bola chegou mais vezes a Aimar. Mais tarde, duas ocasiões claras de golo falhadas por Cardozo e Aimar, um livre de João Moutinho e um lance isolado de Janko aqueceram ainda mais o Clássico. Aos 41´ chegou o golo de Cardozo, num lance algo fortuito mas que devolveu a justiça ao marcador. Depois do intervalo, o paraguaio fez o segundo golo após um livre marcado por Aimar, num lance que não parece falta. Os problemas vieram cinco minutos depois. Aimar lesionou-se e Jorge Jesus tinha de decidir o que fazer: reforçar o meio campo ou olhar para a frente e tentar algo mais? Já todos conhecemos Jorge Jesus, o treinador mais deslumbrado que por ai anda. Como escreveu um Blogger amigo: "a vencer o jogo mais importante da época, Jesus decidiu arriscar mais e jogar com dois avançados". - já agora convido-vos a visitar o blog http://futebola3.blogspot.com/, tem qualidade e motiva discussão/reflexão. E assim foi, Jorge Jesus optou por colocar Rodrigo por Aimar no grande jogo da época. Ou seja, Javi e Witsel contra Fernando, Moutinho e Lucho. Parece-me que o treinador encarnado quis fazer um brilharete e ir para cima da baliza de Helton. Guloso? "Peut-être". Algo me dizia que não foi a opção acertada, mas a verdade é que o Benfica estava melhor. Seis minutos depois entra em cena o homem improvável: Vítor Pereira. O treinador que tanto critico e teimo em não reconhecer capacidades para liderar este Porto, encheu-se de uma qualquer substância que corre nas veias dos grandes treinadores e fez mudanças "de treinador" enviando uma mensagem para dentro do campo: "queremos virar". VP decide tirar Rolando, colocar Maicon a central e transformar Djalma num falso lateral direito. O momento do jogo estava guardado para o minuto 63´. Um contra-ataque do Benfica, 4 jogadores para 1, Witsel conduzia a bola e perdeu para Maicon, com falta ou não, não me pareceu quando vi e revi o lance, depois a bola sobra para o talentoso e cheio de vontade Gaitán, este perde a bola e nem sequer lhe ocorre fazer uma falta para não expor a equipa a um contra-ataque venenoso. Depois foi ver James a percorrer largos metros sem oposição, algo que me causa alguma estranheza, uma equipa que está a vencer um Clássico que decide a liderança do campeonato estar tão exposta e vulnerável no centro do terreno. Depois de um 1-2 com Fernando, James fez o 2-2. Aos 77´ Emerson é expulso, depois de abordar de uma forma pobre, muito pobre, e infantil um lance com Hulk. Alguns minutos depois, VP volta a mexer: Kleber por Moutinho. O treinador dos dragões sabia que estava ali a oportunidade de roubar a liderança e conquistar os adeptos. O Benfica só tentava resistir, com quase todos os jogadores atrás da linha da bola, com um Nolito destruído fisicamente e um Oscar Cardozo incapaz. Mais uma vez, Jorge Jesus perdeu a oportunidade de emprestar alguma coisa de novo à equipa. É verdade que fez duas substituições forçadas, depois das lesões de Garay e Aimar, mas demorou a (não) mexer, não ajudou os seus jogadores, parecia que os estava a ver no matadouro, à espera do inevitável. Sentia-se que era uma questão de tempo até o Porto fazer o golo. Mas a verdade é que o golo surgiu da forma mais perversa e imprevisível, algo que o (bom) jogo não merecia: um golo em fora de jogo. Livre de James (golo e assistência... ok ok) e cabeceamento de Maicon, o jogador que já pisca o olho à selecção e tudo. 2-3, mais uma vitória no campo da águia.
O Benfica de Jorge Jesus conseguiu perder oito (!) pontos em 12 dias, oito pontos em nove possíveis. Como afirmei num texto anterior, JJ começou a perder o campeonato em Guimarães, onde, à imagem do que fez na 6ª feira ao colocar Rodrigo por Aimar, perdeu por deslumbramento, por sobranceria, por se achar no topo do mundo. Habitualmente critico Vítor Pereira, mas o treinador natural de Espinho virou o campeonato do avesso, com mais ou menos dedo, é ele o líder do barco que está com o vento a favor. Outra coisa que pode ser favorável a VP é a possibilidade do Benfica seguir em frente na Champions, esta terça feira contra o Zenit. Jorge Jesus é cego pela Liga dos Campeões e tudo fará pelo sonho. Os jogadores serão também embalados nesta ficção, uma espécie de missão impossível que se transforma assim que os jogadores ouvem o hino mágico, e isso poderá levá-los a facilitarem nos jogos do campeonato.
Falta mencionar algo muito importante: o crescimento do SC Braga. Já tem os mesmos pontos do Benfica, está a três da liderança e somou a 10ª vitória consecutiva na liga. Candidato ou não, é provável que o Braga (tal como o Sporting e o Marítimo) ajude(m) a decidir o campeonato, visto que ainda vai à Luz e recebe o Porto.  Não me vou alongar relativamente a este tema porque brevemente vou escrever um texto sobre o Braga e o seu treinador, Leonardo Jardim.


Perguntas que ficam por responder:


O lugar de Jorge Jesus está em perigo?
Gaitán vai continuar a jogar?
Vítor Pereira está melhor sentado na cadeira de sonho?
VP fez as pazes com os adeptos?
James Rodriguez será titular a partir de agora?
O Braga vai discutir o campeonato até ao fim?

quinta-feira, 1 de março de 2012

Luz, Clássico, Acção!

Em vésperas de Clássico decidi voltar a estas lides, injustamente deixadas ao abandono. As coisas mudaram bastante no futebol português nos últimos tempos. Os três treinadores estão em fases diferentes de maturação mas sempre, sempre, em teste. O Sporting tem um novo treinador, um antigo jogador que quase rasgava a camisola para beijar o símbolo. Uma referência. O início tem sido positivo mas quase que fico tentado a perguntar se ele é angolano ou tem família angolana… é que a imprensa está muito amiga dele. É normal, tempos de crise, há que envolver os clubes e vender jornais. Sá Pinto tem elogiado a atitude dos seus jogadores, o bom futebol virá depois, garante. Quatro jogos, três vitórias (por 1-0) e um empate. Cinco (!) pontos (conquistados ao líder Benfica) e uma passagem aos oitavos da Liga Europa onde vai encontrar o poderoso Manchester City que eliminou o Porto. É, de facto, um começo auspicioso. Se Sá Pinto poderá ser o Guardiola do Sporting, como disse o treinador do Legia, é algo que duvido, mas lá tempo para convencer tem ele, o contrato é até ao verão de 2013. No Benfica o cenário é outro. No cargo pelo terceiro ano, Jorge Jesus é um treinador intrigante. Estava a fazer uma época imaculada, com qualidade no futebol, muitos pontos angariados, uma passagem aos oitavos da Champions, até que … tentou perder um jogo em Guimarães, e conseguiu! Tem mérito, tentou perder e conseguiu. Normalmente quando JJ inventa a coisa não corre bem, e este foi mais um capitulo do livro “As incríveis histórias de JJ”. Em Guimarães, em vésperas do Clássico com o Porto, Jorge Jesus foi, possivelmente, enganado, alguém lhe deve ter dito que estava em Carcavelos e ia jogar contra a equipa local. Num jogo em que não pode contar com Javi Garcia decidiu colocar Witsel no banco. Matic na zona 6, aquele jogador rapidíssimo e “cego” pela bola como o trinco espanhol. Hm Hm. Depois, quatro avançados mais Aimar. Na verdade, acho que só Jesus achava que podia vencer aquele jogo. Mais uma vez, a inconsciência ou sobranceria de quem pensa que consegue ganhar como quer em qualquer campo deixou-o mais frágil que nunca nesta época. Acumulado ao empate em Coimbra, foram cinco pontos perdidos em seis possíveis. Olá Porto, faça favor, é por aqui a liderança. No Porto, o treinador é o mais unânime entre os adeptos dos três grandes. Um líder natural, inspirador. Desde que chegou conseguiu colocar a equipa a jogar um futebol mais fluído, mais à Porto. O único handicap deste treinador, é nunca sentar-se no banco visto que tem de jogar… falo obviamente de Lucho Gonzalez. O homem que veio salvar Vítor Pereira.  Lucho tem uma essência rara do futebol, uma mistura de classe e liderança. Janko também veio mostrar aos avançados como se fazem golos, pode ser um caso sério, aguardemos. Há ainda uma coisa que me causa o maior desgosto e sentimento speechless que pode haver: por que razão VP não gosta de James Rodriguez? Não entendo. Quase que imagino os Deuses no Olimpo a discutir: “Que podemos fazer? Ele é teimoso pá… Manda-lhe uma tempestade e escreve no chão o nome James!! Não, não, não pode ser assim. E ele ainda vai pensar que é o Bond, James Bond…”. Até que Zeus decidiu: “Bem, já sei meus amigos Deuses… aliás já tratei disso. Lesionei o Varela”. Et voilà, veremos se James jogará no Clássico, algo muito improvável porque jogou 80 minutos no jogo da Colômbia e só chega a Portugal na sexta-feira. Outra grande incógnita é saber a natureza das mazelas que os jogos das Selecções deixaram nos jogadores. 
Quem terá mais a perder no Clássico? Benfica. É simples, o Benfica vem de cinco pontos perdidos em seis possíveis. Coisa para abanar e muito a confiança encarnada. Se o Benfica ganhar, é normal, venceu no seu estádio e o Porto mantém-se apenas a três pontos. O empate prolonga a amargura das águias e deixa o rival directo a saciar por mais pontos e prontinho para fugir. A vitória do Porto, algo que não surpreenderia ninguém, podia lançar os da invicta para uma grande recta final, iluminados e encaminhados pelo seu líder e treinador: Lucho Gonzalez

Os onzes mais fortes para o Clássico:

SL Benfica: Artur, Maxi, Luisão, Garay, Capdevilla, Javi, Witsel, Aimar, Gaitan, Nolito, Rodrigo.

FC Porto: Helton, Sapunaru, Rolando, Otamendi, Álvaro, Fernando, Moutinho, Lucho, James, Hulk, Janko

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Troika soma e segue

O campeonato português está a ganhar interesse, à sétima jornada a distância entre o primeiro lugar e o quinto é apenas de três pontos. Os líderes perderam apenas quatro pontos portanto podemos dizer que o campeonato não está nivelado por baixo. Os três grandes venceram, Braga perdeu em Leiria (1-0) na estreia de Manuel Cajuda e o surpreendente Marítimo empatou no terreno do Feirense (2-2).

SL Benfica e FC Porto são líderes com 17 pontos em 21 possíveis. O jogo dos encarnados foi uma prova da sua força, pela posse de bola, qualidade e resultado expressivo, mas também mostrou as deficiências e fraquezas do costume. A equipa de Jorge Jesus começou bem, e ao contrário do que é costume até estava a dominar o jogo. Ao intervalo vencia por 2-0 com golos de um jogador que tem sido infeliz esta época, Javier Saviola. Logo após o intervalo Luisão faz penalti e o Paços de Ferreira reduz. O clube da Luz tinha o jogo na mão e esperava-se uma resposta forte mas, e aqui vem a grande fraqueza, quase sofreu o empate no minuto seguinte, não fosse o (Rei) Artur fazer uma defesa daquelas que nos tem vindo a habituar. Depois, lá surgiram os golos de Luisão e Nolito. O espanhol é o Pichichi da prova com cinco golos (igual a Cardozo e Baba) e necessita apenas de 99 minutos para marcar um golo. O destaque vai para a qualidade da posse de bola e o colectivo, a dinâmica. A nota negativa vai para Matic, tem qualidade mas é lento a pensar, demora demasiado tempo a soltar a bola; o outro ponto negativo, preocupante, é a capacidade do SLB perder a concentração e dar tiros nos pés, colocando em risco o caminho para os três pontos. Considero oportuno comparar o estado da equipa à sétima jornada relativamente ao ano passado: por esta altura tinha 10 golos marcados, 6 sofridos e 10 pontos. Este ano tem 19 golos marcados, 8 sofridos e 17 pontos. As Águias estão mais fortes, têm mais 7 pontos e a veia goleadora do ano do título parece estar de volta, mas é curioso concluir que Roberto sofreu menos golos que o "Super-Artur" ... lembrando que Artur já fez tantas defesas de qualidade, está fácil de entender que algo se passa com esta defesa e o processo defensivo.

O FC Porto venceu por 3-0 em Coimbra no reencontro dos ex-adjuntos de Villas-Boas. O futuro ex-treinador do FCP, Vítor Pereira, e o ex-futuro treinador do FCP, Pedro Emanuel, mediram forças e a vitória sorriu ao proprietário da trespassada "Cadeira de Sonho". O resultado foi expressivo mas a meu ver enganador. Sim, o FCP foi melhor. No entanto, tenho a sensação que venceu o jogo simplesmente porque tem jogadores melhores, o colectivo continua a deixar-me reticente. Naturalmente viu-se jogadas de qualidade a espaços mas a intensidade, a dinâmica e a qualidade continuam tímidas e leva-me a acreditar na possibilidade de Vítor Pereira não ter os jogadores na mão. Pode ter qualidade, pode saber muito de táctica, pode ter várias virtudes mas ser líder não é para todos. A comunicação é essencial para um líder carismático e que se faça seguir. O que VP disse depois do jogo no Dragão contra o SL Benfica levou-me a crer uma coisa: não é treinador para o FC Porto. Alguém que tem o jogo na mão, que até está fácil, mexe na equipa como entende (bem ou mal), a equipa abranda, perde gás e ambição, que perde a batalha física, justifica o empate com um suposto cartão vermelho que ficou por mostrar a Cardozo ... não é discurso para um treinador do FCP, não tem a dimensão do clube. Analisando seriamente, a crise do FCP traduz-se numa liderança e na discussão da passagem na Champions. Tomara todos viverem esta crise não? Não critico o trajecto, critico a comunicação e algumas opções (como aquela contra o Zenit de colocar Fernando, até então um dos melhores, a defesa direito quando tinha Maicon no banco. Lembro que Otamendi jogou a defesa direito no Mundial ... VP foi cientista e deu-se mal). Registo ainda a forma como se festejaram os golos no banco dos Dragões: tensão, alívio.
No jogo de ontem gostei de ver o que a Académica tentou produzir, como ligava o jogo no momento que ganhava a posse de bola. Vejo muito trabalho de Pedro Emanuel, muita qualidade. Vou andar mais atento a esta Académica. Não tenho a certeza disto mas pareceu-me ver uma movimentação defensiva para convidar o FCP a sair a jogar pela direita onde estão os jogadores mais frágeis com bola: Rolando e Fucile. O jogo foi desbloqueado pelo jogador que marca sempre que é titular: Walter "Bigorna". Como é possível não estar inscrito na Liga dos Campeões? A Lei de Murphy não perdoa e Kléber lesionou-se na Rússia. Walter tem tudo para convencer os adeptos portistas: marca sempre que é titular, o ano passado em 25 presenças fez 10 golos, e a nível posicional parece-me ganhar a Kléber pela sua forma mais posicional de jogar. Kléber ainda é um corpo estranho na equipa, poderá dar certo, mas sai muito do lugar e perde-se. Walter tem um estilo diferente, mais fixo, mais na zona 9, confiante da qualidade que gira à volta dele (Hulk, James, Moutinho, Alvaro...), poderá ser um caso sério de golos. Destaque vai para James Rodriguez, classe classe classe, golo e assistência.

O Sporting CP venceu em Guimarães e está a três pontos dos líderes. O golo foi marcado por Capel aos sete minutos, o hábito de marcar cedo mantém-se. O golo do espanhol resultou de uma perda de bola inqualificável de Leandro Freire, lançado pela faixa esquerda por Schaars, rematou com força e qualidade para a baliza de Nílson. O guarda-redes brasileiro (ou burquinense?) não me convence e, ainda que reconheça qualidade ao remate de Diego Capel, noto que já está quase no chão aquando do remate. Mais um jogo com dez jogadores durante 68 minutos, sem referir descontos. A expulsão de Rinaudo, aos 22´, parece-me (e depois de ouvir algumas opiniões...) algo exagerada. Tiro o chapéu a Domingos Paciência por referir o que me ocorreu depois do jogo: "que critérios são estes? a entrada do Evaldo é mais vermelho do que a entrada do Rinaudo". Ocorreu-me também outra coisa: "e se fosse Binya ... haveriam tantas vozes escandalizadas com o vermelho?". Aceitem o desafio e imaginem.
O nome Guerreiros qualquer dia foge de Braga e acampa-se por Alvalade. É verdade que este Guimarães desilude e muito. Pouca qualidade e pouca agressividade à Guimarães. Aquela que se mistura com orgulho e ambição. A única agressividade que mostraram traduziu-se em 23 faltas e seis cartões amarelos, com alguns por mostrar. Os Leões merecem a fase por que estão a passar, há qualidade técnico-táctica mas estes dois últimos jogos, com Lazio e Guimarães, mostraram outra coisa: o Sporting CP sabe sofrer, é equipa. Uma equipa grande normalmente ganha quando joga bem, mas importante é ganhar quando não joga bem ou, como neste caso, não tem a possibilidade de jogar bem. O Sporting CP é candidato ao título, afinal foi a tempo, ao contrário do que referi há umas semanas. Bravo Domingos Paciência. Ontem, Cláudia Lopes no programa "Jornada" perguntou assim a João Vieira Pinto: "As substituições de Domingos foram sempre de carácter defensivo, com as entradas de André Santos, Evaldo e Carriço ... não terá sido cedo demais? Não terá arriscado o empate?" - Aqui se vê como o futebol é. Se por acaso o impotente Guimarães empata, a comunicação social e os (eufóricos) adeptos leoninos provavelmente iam questionar as decisões de Domingos. As coisas correram bem e o treinador, com a ajuda do suor dos seus jogadores, garantiu a conquista do castelo de Guimarães - leia-se três pontos - e assim todo o mundo conclui ... as opções foram as correctas. Este Sporting tem carácter, está unido. Este Sporting sente o orgulho e o prazer nas vitórias.

O campeonato promete ...
Agora temos duas semanas de paragem. A Selecção decide a presença no Euro 2012 frente à Islândia e Dinamarca e depois há jogo para a Taça de Portugal.

Taça de Portugal

Famalicão x Sporting CP
Pêro Pinheiro x FC Porto
Portimonense x SL Benfica

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

FC Porto 2-2 SL Benfica - Clássico relança campeonato

O empate no Dragão e as vitórias do SC Braga, Sporting CP e Marítimo devolveram o calor que se quer na liga portuguesa. FC Porto, SC Braga SL Benfica com 14 pontos, Marítimo com 13 pontos e Sporting CP soma 11 pontos. O interesse voltou e a próxima jornada promete agitar a tabela classificativa.
Vítor Pereira, como eu suspeitei, não olhou ao adversário e a demasiadas preocupações e apostou em Varela. No entanto, tenho de admitir que este Varela está anos-luz do Varela do ano passado. O FC Porto entrou como se previa, forte, melhor, com mais bola e a criar jogadas de algum perigo. O meio campo era fortíssimo com o perdoado Fernando, Guarín e João Moutinho. Este meio campo levou a melhor na primeira parte, superiorizou-se a Witsel e Javi com facilidade, visto que muitas vezes Aimar fazia a pressão alta com Cardozo nos centrais, portanto sobrava um e era por ai que os Dragões conseguiam sempre a solução de passe e ligar o jogo com o ataque. A estratégia do SL Benfica era a previsível: contenção, à espera do erro do adversário e a tentar saídas rápidas. Jorge Jesus apostou em Nolito, algo que considero um erro. Ainda que tenha estado ligado ao golo de Cardozo, considero que Nolito é mais influente num jogo que os Encarnados estão por cima ou estão a criar um grande volume de jogadas ofensivas. Como sempre digo e correndo o risco de ser repetitivo, Nolito é frágil fisicamente e num jogo onde o adversário tem a iniciativa de jogo e é exigido mais trabalho defensivo as fragilidades de Nolito vêm ao de cima, perdendo a frescura e o esclarecimento no momento da decisão. Considero que Bruno César teria sido a melhor opção.
Na primeira parte o FC Porto vencia com um belo golo de Kléber, no entanto, acho que continua fora da dinâmica da equipa, um corpo estranho muitas vezes mas vejo qualidades para dar certo. Fucile, teve um jogo para esquecer, sem qualidade com bola, algo displicente e entrou em algumas simulações. No lance de  Cardozo e Fucile, admito que vi uma reacção do paraguaio mas não me parece para vermelho. Muito menos me parece razão para o FC Porto desculpar a sua incompetência e falta de ambição com um lance muito duvidoso.
Na segunda parte os encarnados teriam de entrar obrigatoriamente com outra atitude e tiveram a felicidade de empatar o jogo logo a seguir ao intervalo por Cardozo a passe Nolito. No entanto, o tal murro na mesa não se concretizou pois o FC Porto marcou logo a seguir por Otamendi num canto estudado, curto para desmontar a defesa à zona do Benfica mas considero que foi muito passiva a defesa encarnada. Depois, aconteceu algo que ninguém esperava. FC Porto sem gás, FC Porto sem vontade de ganhar ao Benfica? Inédito. Vítor Pereira contribuiu, retirou Guarín de campo quando estava a ser o melhor na pressão alta e a dar a ideia que a equipa estava bem fisicamente. Contudo, entendi a ideia de VP, queria fazer o que o FC Porto fez na Luz o ano passado, "dar um chocolate" de posse de bola e mostrar como se controla um jogo, mostrar como se congela a posse de bola, e Belluschi é o homem certo para tal.
Jorge Jesus quis também alterar a estratégia e lançou Bruno César e Saviola. Grandes senhores do futebol e comentadores dizem que mudaram o jogo ... a meu ver não é verdade. Saviola a única coisa que fez de jeito foi a super assistência para Gaitán; Bruno César entrou bem, pouco ansioso, a jogar sempre no pé mas não abanou o jogo. VP voltou a mexer e retirou o avançado Kléber e lançou Cristián Rodriguez. A ideia era dar dinâmica ao ataque sem avançado fixo e competência defensiva. Havendo vários jogadores na zona intermediária deveria ser mais fácil fazer a posse de bola e fazer o Benfica correr. Essas mensagens de VP levaram os jogadores a tentar uma posse de bola na defesa, a dez à hora, sem qualidade, sem progressão. O FC Porto perdeu-se. Perdeu-se e mostrou pouca vontade, quem sabe problemas físicos, é verdade que o Benfica cresceu mas não na qualidade de jogo, talvez fisicamente se tenha superiorizado mas sentia-se que talvez só num lance fortuito chegaria lá. Foi mais ou menos assim. Mais do que um lance fortuito, foi a falta de agressividade dos jogadores do FC Porto quando Cardozo tinha a bola (des)controlada, a bola bateu duas vezes e ninguém a roubou ao paraguaio que a fez chegar a Saviola, este fez um passe incrível para Gaitán fazer um belo golo.
E assim foi, 2-2 no Dragão a relançar o campeonato. VP começa a ser questionado mas não me parece justo, questiono sim justificar o resultado com a suposta expulsão de Oscar Cardozo. Teve um grande mérito: montou a equipa de forma a desligar o jogo ofensivo encarnado, anulou Aimar e foi muito superior na primeira parte, a segunda parte é que deixa os adeptos portistas reticentes.
Já Jorge Jesus mostrava-se satisfeito com o resultado e entendo o seu discurso. Quem tinha a perder tudo neste jogo era o FC Porto: se perdesse seria um escândalo; se empatasse era grave pois seriam dois empates seguidos; caso o FC Porto ganhasse seria visto como algo "normal". A estratégia foi semelhante à do jogo com Manchester United e foi por isso que vimos tão pouco de Witsel e Aimar.
Considero que Jorge Jesus saiu vencedor desta ronda, mantém o primeiro lugar, continua sem derrotas e empatou num campo complicado contra uma equipa que foi superior.
Já Vítor Pereira soma dois empates seguidos e agora tem dois jogos fora de casa complicados: Zenit e Académica. Se tropeçar não tenho dúvidas que vão surgir muitos pontos de interrogação no caminho do técnico.
Na próxima jornada o SL Benfica recebe o Paços Ferreira, o Sporting CP desloca-se a Guimarães, o SC Braga vai a Leiria e o Marítimo joga fora com o Feirense.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

FCP x SLB: antevisão

É já esta noite um dos jogos mais aguardados do ano. FC Porto e SL Benfica, os líderes do campeonato, medem forças hoje e esperam deixar para trás o principal rival. A história está do lado do clube da Invicta, mas quatro vitórias seguidas para o campeonato e um jogo interessante contra o Manchester United leva os encarnados a encarar o jogo com mais confiança e, quem sabe, coragem.
Nos últimos sete anos, o SL Benfica venceu duas vezes no Estádio do Dragão. O ano passado para a Taça de Portugal (2-0) e em 2005/2006 para o campeonato com dois golos de Nuno Gomes (2-0).
Há um dado que não posso deixar de referir: o FC Porto não perde há 44 (!) jogos, 573 dias sem conhecer o sabor da derrota. A última derrota aconteceu no dia 28 Fevereiro de 2010, contra o Sporting CP em Alvalade, o resultado foi 3-0.
Na época passada este clássico permitiu o FC Porto fugir e aumentar para 10 pontos a distância entre os rivais. Mais que isso, permitiu mostrar que ambos estavam a anos-luz no que toca à qualidade e dimensão. O 5-0 foi esclarecedor e antecipou o que iria acontecer no campeonato: supremacia fácil e gritante dos dragões.
Este ano tudo pode ser diferente. O FC Porto continua forte mas ainda longe do FCP de AVB, o SL Benfica parece mais forte colectivamente relativamente ao ano passado, com mais soluções, mas essencialmente, com um treinador que tem os pés no chão e que entende que os equilíbrios defensivos são tão importantes quanto o seu ataque das transições rápidas.
Os estilos são diferentes, o FC Porto gosta de dominar, ter a  bola, congelar a bola quando necessário, atacar com mobilidade mas com os espaços bem ocupados, ou seja, é uma transição ofensiva com coberturas, o que permite à equipa um equilíbrio e muito maior eficácia no momento que perde a posse de bola; o SL Benfica gosta de dominar de outra forma, gosta de pressionar forte à frente mas olha pouco a congelar a bola ou controlar/dominar o jogo através da posse de bola (o que acho que seja um dos pecados de JJ), prefere o ataque sem cessar. Quando o ataque está num dia bom, claro que é isso que faz tremer as outras equipas, mas no momento que perde a bola, a equipa por vezes está desequilibrada, algo que Witsel veio ajudar a corrigir. Tendo em conta estes dois tipos de abordagem, diria que o do FCP é o mais indicado e apropriado para um clássico desta dimensão: domínio, posse de bola, coberturas, transições eficazes. Fico tentado a dizer que o FCP vive de outra dinâmica e cultura táctica.
Para esta noite existem algumas dúvidas. Começando pelo FCP, a expulsão (surpreendente) de James Rodriguez frente ao Feirense abre uma vaga. Varela ou Cristián Rodriguez? Há um ano diria Varela sem qualquer problema, este ano e depois de ver o que se passou no Mónaco fico mais reticente. Cristián é mais competente no processo defensivo num jogo que vai ter Maxi Pereira como opositor, porém, é o FCP no Dragão, acho que só vai olhar para si, com a coragem, orgulho e qualidade do costume, aposto em Varela. Até porque Rodriguez ofensivamente nunca mais foi o jogador que jogou no SLB ou do primeiro ano do FCP. A outra dúvida no FCP é o meio campo: Belluschi, Guarín ou Defour? Alguns jornalistas e analistas apostam em Guarín. Estou de acordo visto que o meio campo do SLB é dotado de técnica e força, Javi e Witsel são poderosos fisicamente e sabem sair a jogar. E há ainda Aimar, um grande nº10, acredito que Vítor Pereira terá indicações específicas para defender o argentino, anular Pablito é uma forma de anular o ataque do SLB. Guarín é um tractor, defensivamente forte e possante, aparece bem perto da área do adversário onde gosta de aplicar o seu "pontapé Isaías".
No SLB a dúvida está no meio campo: Rúben Amorim ou Nolito/Bruno César? Coloco as coisas assim porque dependem da abordagem de Jorge Jesus. Quererá um meio campo mais coeso, mais virado para o equilíbrio e, com a entrada de Rúben Amorim, atento às investidas de Álvaro Pereira? Ou vai pensar como o adepto benfiquista e não ter medo? Colocando assim Bruno César ou Nolito. Estou curioso para saber qual é a abordagem, mas caso seja a segunda opção, eu apostaria em Bruno César. Tem dinâmica, é rápido e parece ter dimensão. De Nolito continuo a dizer que é frágil fisicamente, este é um jogo que vai exigir muito dos jogadores e o espanhol é muito mais eficaz num jogo virado para o ataque, agiganta-se nos últimos 30 metros.
Jorge Jesus terá aprendido a lição o ano passado mas o que é certo é que não tem jogadores para virar a equipa ao contrário para pensar em Hulk. Dou favoritismo ao FCP, por ser o FCP no Dragão, até podia ter cinco derrotas até aqui, contra o SLB o orgulho e devoção ao clube tornam-se cegos. Veja-se o que aconteceu no ano do título dos encarnados: o FCP com 10 jogadores venceu o jogo por 3-1. Já o ano passado, o SLB permitiu os dragões serem campeões no seu Estádio. As mentalidades são diferentes.
O FCP tem um grande colectivo mas vive muito do seu craque Hulk. Se o brasileiro tiver naqueles dias mágicos (dia sim dia sim mais ou menos...), o favoritismo sobe para 70%. O SLB respira o colectivo mas tem jogadores como Gaitán e Cardozo que podem fazer um golo ou desequilibrar a qualquer momento.
O ambiente está saudável e espera-se um grande jogo. Os rivais querem fugir e vencer os três pontos, mas um empate seria muito interessante para o campeonato caso SC Braga e Sporting CP vençam os seus jogos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Liga Europa: chocolate suiço na 1ª parte, el jefe Rinaudo a tempo inteiro

A remontada em Paços de Ferreira devolveu ao Sporting CP a crença e, principalmente, devolveu personalidade. Aliado ao golo marcado cedo, acredito que também tenha ajudado a arrancar para uma bela primeira parte. Um autêntico chocolate suíço. O clube de Alvalade venceu por 2-0 o Zurique em jogo de estreia para a Liga Europa. Domingos Paciência voltou a surpreender: Pereirinha no meio campo, Carrillo na direita. A ideia de Pereirinha no meio campo faz-me associar a Ramires, não comparando a qualidade dos jogadores, mas analisando as funções, parecem desempenhar funções parecidas: jogador do meio campo que pode aparecer na linha ou na frente, que tem velocidade suficiente para dar essa opção na frente mas principalmente na transição defensiva. Parece-me que Domingos se poderá ter inspirado em José Mourinho quando fez o mesmo com Fábio Coentrão. Carrillo entrou descomplexado, tranquilo, disponível para jogar o seu futebol rápido de drible, não descurando o colectivo. Poucas vezes apareceu no centro, normalmente os extremos ficam na zona para fazer a combinação com o lateral, no trabalho defensivo foi um jogador esforçado, afinal foi a sua estreia a titular e era expectável uma grande atitude.
O primeiro golo chegou cedo, livre bem marcado (como é hábito) por Schaars e Insúa a aparecer na zona de ninguém a desviar a bola. Mais tarde, mais um erro de Rui Patrício, mais um atraso. Porquê facilitar? Mas no caso de ontem nem há desculpa, falta de concentração que podia ter contribuído para a equipa dar um passo atrás na partida. Felizmente para os Leões, Rodriguez enviou a bola ao poste. Depois veio o 2-0, jogada soberba na esquerda. Insúa, Capel e Schaars foram os intervenientes, Wolfswinkel foi o matador de serviço. Nota de destaque para o argentino recém-chegado, nova assistência para o nº9 como em Paços.
Na primeira parte viu-se um Sporting CP disponível, meio campo móvel, laterais a subir com regularidade e agressividade, destaque para as combinações da sociedade Insúa-Capel que prometem.
Alguém conhece o nº21 do Sporting CP? Eu posso dar a conhecer, chama-se Rinaudo. Joga com e sem bola, é o patrão do meio campo, é quem define o ritmo e para onde jogar, é o jogador mais agressivo a defender, é o jogador que não se cansa, tem ganas, tem técnica e qualidade de passe e ontem foi o melhor em campo, estavam em todo o lado, encheu o relvado de Zurique, foi bombeiro e playmaker em simultâneo.
A segunda parte teve outra história. Zurique conseguiu, a espaços, pressionar mais alto e mais agressivo, foi uma presa demasiado fácil no primeiro tempo. O clube suíço cedo voltou a enviar a bola ao poste de Rui Patrício e ameaçava a tranquilidade do Sporting CP, bastava reduzir e estava a discutir o jogo e aí veríamos o carácter deste Leão ainda a lamber as feridas.
O clube de Alvalade foi baixando no terreno e encurtando a equipa, a equipa ficou menos capaz de sair com tanta qualidade como na primeira parte. O próprio treinador foi enviando essas mensagens aos jogadores através das substituições, estava 2-0, havia que não ser "guloso". Primeiro retirou Carrillo, que mostrou ser uma opção muito válida para aquele flanco, encostou Pereirinha à linha e fez entrar André Santos, um médio centro com outra cultura, poder de choque e qualidade de passe. Apreciei bastante esta substituição, não só porque gosto das qualidades do jogador mas porque ajudou a equilibrar a equipa: na primeira parte, quando Rinaudo penetrava no meio campo com a bola ou disponibilizava uma linha de passe mais à frente, nem Schaars, nem Pereirinhaa fechavam a zona 6, não vi ninguém fazer as coberturas e criava um buraco no meio. A entrada de André Santos dotou a equipa de equilíbrio e mais qualidade de passe.
Vi um Sporting CP mais "rato", a fazer faltas, a saber travar potenciais ataques rápidos ou contra ataques. As grandes equipas defendem bem mas sabem melhor que ninguém recorrer às faltas. Os jogadores de Domingos parecem estar a entender a importância desse aspecto.
Domingos voltou a mexer na equipa: Rubio por Wolfswinkel e Evaldo por Capel. Importante referir que o Sporting CP acabou  a jogar com 4 laterais. Pereirinha não é lateral de origem, mas já jogou naquela posição e sabe defender e fazer as trocas com o lateral. Domingos foi fechando a porta para garantir o triunfo que seria fundamental para injectar moral e dar confiança aos jogadores.
Nas bolas paradas a atitude tem de mudar. Os livres de Schaars são perigosíssimos mas a equipa apresenta pouca agressividade nos cantos e livres contra.
Mais tarde, o Beckham de Zurique - leia-se Rodriguez - voltou a rematar uma bola à trave através de outro livre.
As minhas únicas reticências são os defesas centrais. Onyewu e Rodriguez fizeram um jogo normal, cumpriram. Estou curioso para ver como será com avançados rápidos, que tentam ganhar as costas ou que são peritos no 1x1.
Domingos Paciência tem jogadores e competência para desenhar o Sporting CP da primeira parte de Zurique. Mais do que jogadores, o Sporting CP necessita de saber o que é amor próprio, sentir-se um clube grande, não estar constantemente a olhar por cima do ombro, tem de levantar a cabeça e sentir-se orgulhoso de quem é e da sua história. Os jogadores que vestem a camisola do Sporting CP não podem ser negligentes ou indiferentes, tem de deixar suor, lágrimas e sangue em campo. Que se inspirem todos em Rinaudo e João Pereira, e Domingos tem  metade do problema resolvido, depois é tempo para a olear a máquina.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Liga dos Campeões: a águia sabe voar

O SL Benfica e o Manchester United empataram a uma bola ontem na Luz num verdadeiro jogo de Liga dos Campeões. Cultura táctica, respeito mútuo, qualidade técnica, poucas oportunidades de golo e dois bons golos. O Estádio da Luz estava vibrante, 64.000 pessoas em estado de euforia por estarem presentes num jogo especial, num "clássico europeu" como denominou Alex Ferguson.
O SL Benfica voltou à fórmula Javi - Witsel - Aimar e entrou bem no jogo. Mais bola por alguns minutos, algo consentido pelo colosso inglês, é incrível a cultura e a tranquilidade dos jogadores ingleses, não ficam ansiosos sem bola, sabem que espaços têm de defender e fechar. Jorge Jesus optou por uma equipa mais consistente e cautelosa, a entrada de Rúben Amorim em função de Nolito ou Bruno César deixa isso claro. Alex Ferguson deixou alguns craques no banco, provavelmente com vista ao embate com Chelsea no próximo domingo, mas só quem não acompanha a equipa de Manchester ao longo dos anos na Champions é que não sabe que a presença de jogadores como Park, Fletcher e Valencia é algo normal e regular. Aproveito para revelar um dado assustador: nos últimos quatro anos o Manchester teve presente em três finais, perdendo duas com o fantástico Barcelona de Guardiola e vencendo uma ao Chelsea em penaltis.
A partir dos quinze, vinte minutos o Manchester apoderou-se da bola, mas como Alex Ferguson revelou, uma posse de bola muito cautelosa, distante da área, só com o intuito de dominar e controlar o jogo, isto porque quando entravam na área de Javi e Witsel, e depois Luisão e Garay, normalmente a jogada terminava. Foram os quatro homens do jogo para mim a nível táctico, fizeram um trabalho soberbo, incansável mas muito sábio. Luisão nas alturas e antecipação, Garay mais na antecipação e em lances de choque, a contrariar o que o seu pai disse aquando da sua chegada, que o que pecava em choque ganhava em velocidade; Javi Garcia fez dos melhores jogos pelo Benfica, a nível defensivo, super rigoroso e concentrado, a presença de Witsel ajudou e muito é certo, mas vimos um Javi muito confiante com a bola no pé. Witsel é um jogador completo, pergunto-me como é que Arsene Wenger com as perdas no meio-campo não foi buscar este belíssimo jogador. A nível defensivo fez um grande trabalho, bem posicionado, agressivo na bola (talvez tenha pecado neste aspecto quando Giggs passou perto no lance do golo...), e depois é um jogador que permite congelar e circular a bola, qualidade técnica e cultura táctica está no seu ADN. O Manchester jogou com um meio campo forte a nível fisico - Fletcher e Carrick - e com um génio à solta, Ryan Giggs, quase 38 anos e continuou a dar dores de cabeça, foi o jogador que mais desequilibrou e conseguiu furar as duas muralhas defensivas. Pablo Aimar não teve tanta bola como desejável mas sentia-se outro futebol quando tocava na bola.
Aos 24´ Gaitán ultrapassou o opositor na linha e com uma trivela espectacular fez um passe para as costas de Evans, Cardozo fez algo pouco visto: dominou no peito, tocou logo para o pé direito, ágil, rematou e fez um belo golo. Cardozo estava soltinho, com vontade, disponível, comprometido com a equipa, a mandar a equipa subir para ajudar na pressão, ganhou bolas de cabeça a uma dupla de centrais poderosa, algo que não acontece no campeonato português e que me leva a perguntar se será falta de ambição.
Antes do intervalo, o génio à solta resolveu mostrar porque é um dos melhores jogadores de sempre. Ryan Giggs aproveitou uma rara desatenção e moleza do meio campo/defesa do SL Benfica, com uma diagonal ganhou espaço para colocar a bola na baliza de Artur. Um belo golo, digno do jogador que é.
Na segunda parte houve mais Manchester United, a posse de bola tornou-se mais agressiva, mais subida, já rondava mais a área do SL Benfica e chegou a ter uma grande oportunidade por Ryan Giggs novamente, mas Artur fez uma grande defesa. Jorge Jesus percebeu que tinha de alterar algo para agitar o jogo porque o ataque da equipa estava a desaparecer e lançou Nolito, os adeptos deliraram. Nolito entrou, como sempre, ansioso, a querer fazer tudo e rápido demais, perdeu duas bolas que podiam colocar em xeque a sua equipa. Depois, soltou-se e deu algumas dores de cabeça à defesa do MU, no seu jeito desengonçado com a bola colada ao pé, fez sonhar os adeptos. Quase marcou a passe de Gaitán, depois de um contra-ataque desenhado por Pablo Aimar, o guarda redes Lindegaard fez uma grande defesa.
Aos 75 minutos Jorge Jesus optou por trocar Matic por Aimar. Julgo que pensou que como o jogo estava, preferiu emprestar à equipa um meio campo mais físico e com maior capacidade no jogo aéreo e evitar uma derrota nos momentos finais. Mas foi depois desta substituição que se deu a melhor oportunidade de golo do clube da Luz, depois de uma jogada de insistência e crença, Nolito ultrapassou alguns adversários e, talvez sem força, chutou sem sucesso de pé esquerdo. A equipa de Jorge Jesus controlou os últimos quinze minutos.
A exibição foi muito interessante, podia ter ganho é certo, mas jogou contra um colosso. É certo que Alex Ferguson colocou Nani e Chicharito para ameaçar as redes de Artur mas os jogadores ingleses não pareciam estar desagradados com o empate na Luz. Não posso deixar de referir a exibição apagada do jogador mais temido, Wayne Rooney teve uma noite infeliz, longe da sua qualidade e brilhantismo.
Destaquei Garay, Luisão, Witsel e Javi, mas os dois laterais fizeram também um óptimo jogo. Maxi foi mais do mesmo: concentrado, incansável, técnico, rijo, cego pela bola. Emerson tinha pela frente um jogador muito mais rápido - Valencia - e desempenhou com sucesso a sua função.
Os adeptos saíram satisfeitos e orgulhosos por sentir que a sua equipa discutiu o jogo contra um gigante como o Manchester United. Era importante começar bem, um empate é um bom começo tendo em conta o grupo. Agora, é tempo de não permitir dejavus do ano passado assombrar a equipa, Jorge Jesus e os seus jogadores têm de manter este compromisso com os adeptos, esta seriedade, esta qualidade. É obrigatório atingir os oitavos de final.