sexta-feira, 22 de março de 2013

Sporting: quem venceu o último debate?

Esta é, definitivamente, uma corrida a dois. Bruno Carvalho e José Couceiro são os únicos candidatos com possibilidades de vencer a corrida à presidência do Sporting. Se sempre foi uma evidência, ontem ficou só mais uma vez bem explicito com a quantidade de vezes que o ecrã ficou dividido entre os dois.

Quem ganhou? Prefiro dizer quem não perdeu. Quem não perdeu foi Bruno Carvalho. Admiro muito Hélder Conduto mas julgo que ontem, pelo menos na fase inicial, não conduziu o debate da melhor maneira, tentou acalentar a coisa... e conseguiu, depois foi complicado segurar.

Primeiro, estavam e estão todos de acordo sobre a falta de legitimidade de Godinho Lopes para contratar, vender ou renovar contratos de jogadores, nomeadamente Wolfswinkel e Rui Patrício.

Depois, perdeu-se demasiado tempo em conversa populista: rendimentos. Por que razão é uma coisa positiva alguém dizer que vai estar no Sporting sem receber? Não entendo. Se não recebe, vai receber noutro lado, seja licitamente, logo não estará 24h disponível para o clube, seja ilicitamente. Normalmente nestas questões populistas o protagonista é Carlos Severino, que se sente fragilizado e sem hipóteses.

Mais tarde, ficámos mais ou menos a saber que ainda há bancos disponíveis para o Sporting e que há investidores igualmente interessados em ajudar ou catapultar o clube para outra dimensão, a correspondente à sua história. Severino fala na disponibilidade de bancos que não são credores actuais, nomeadamente de um banco holandês comprar dívida do clube (se bem entendi, admito que estava muito barulho na tasca onde ouvi). Bruno Carvalho fala em investidores que injectarão qualquer coisa como 15/20 milhões numa primeira fase. José Couceiro fala em "investidores sportinguistas", se é uma mão cheia de nada ou não, veremos.

José Couceiro surpreendeu finalmente com um nome forte no mundo leonino: Pedro Barbosa. Se antes foi um capitão adorado, com uma classe invulgar, hoje é um comentador respeitado e simpático para qualquer adepto de futebol. Severino tem o trunfo Cruyff. Eu que sou fã da escola holandesa, da metodologia (a pirâmide Coerver por exemplo) e do "futebol total" criado por Rinus Michels... fico entusiasmado mas ao mesmo tempo pergunto: 50 mil euros/mês para cinco treinadores das camadas jovens? Dez mil euros por cada? Mas eles têm alguma poção mágica do Asterix? Noutro clube diria que esse trunfo podia ser tentador, bastante até... no Sporting, se há "petróleo", como disse Severino, é na academia.

De seguida, José Couceiro tentou distanciar-se de Bruno Carvalho numa temática: fusão da SPM (Sporting Património e Marketing) e SAD. Couceiro mostrou-se contra a transferência do passivo para o clube, opinião que ganha alguns seguidores entre os adeptos. Bruno Carvalho defendeu-se na tese de que a medida já foi aprovado em Assembleia Geral e de que nada há a discutir. Couceiro tentou saber se Carvalho pretendia transferir 120 milhões de passivo... e nada, não passou dai. Ficou a nota, Couceiro quis distanciar-se, é contra o "lixo tóxico", como dizem na economia, no coração do Sporting.

Depois, alguém rebentou os balões e decidiu fazer-se uma festa. Severino começou a atacar Couceiro de uma forma incrível. "O Izmailov tem o mesmo empresário que tu, que te levou para a Rússia (Lokomotiv). Por isso é que nunca falaste no Izmailov". Mentira, fartei-me de ler artigos que tinham frases de Couceiro sobre o russo. Depois foi o Alverca e a descida de divisão... Depois a passagem de Couceiro no clube em 1998, como director-geral. Foi discutida a contratação e falhanço de Carlos Manuel... Bom, de repente, Couceiro foi o alvo, e Carvalho tranquilo, Severino estava a fazer o trabalho por ele.

Durante o debate, chegou a ouvir-se um "você sabe zero de futebol, você é zero" de José Couceiro para Bruno Carvalho, enquanto a resposta foi "você é incompetente". O tom subiu.

Considero que Couceiro aqui e ali se sentiu nervoso... Carvalho com aquele jeito calmo, pausado (irritante?), consegue manter-se tranquilo sem se precipitar e enervar os outros. Couceiro foi atacado e, mesmo que seguro de si, senti que tremeu um pouco.

Ninguém ganhou o debate, durante algum tempo nem os sportinguistas, mas um candidato não perdeu: Bruno Carvalho.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Jorge Jesus e o Benfica: "bazamos ou ficamos?"

Não sei se foi a sua leveza, o seu à vontade e atitude na FMH outro dia... mas quando pensei num título para adivinhar o futuro de Jorge Jesus lembrei-me logo da música de Mind Da Gap. O treinador está para ficar ou sair do Benfica? Vejamos.

Para quem começou há praticamente 24 anos no Amora, a vida de Jorge Jesus não está nada mal. Aos 58 anos, treina o Benfica e é o 15.º treinador mais bem pago da Europa. Europa! Em Portugal. Da Europa... não é fácil digerir isto quando pensamos na situação de Portugal, um país que sofre um atentado fiscal e um assalto europeu trasvestido. Bom, voltemos ao futebol.

Se há treinadores que merecem o sucesso que têm, Jesus é um deles. Aprecio quem vem de baixo, quem começou num Amora, e que passou por Felgueiras e União da Madeira, e por ai fora... Como Leonardo Jardim, por exemplo, que começou no Camacha aos 27 anos ou Paulo Fonseca, que há quatro, cinco anos estava no 1.º Dezembro, na 3.ª nacional (equivalente à quarta divisão). Não gosto de ver treinadores a começar pelo topo: Jorge Costa, Pedro Emanuel, Villas Boas, Costinha, Nuno Espírito Santo... são muitos e estão na moda.

Gostemos ou não do estilo de Jorge Jesus, trabalhou para chegar onde chegou. E por mérito próprio, tem os adeptos do Benfica a rezarem para que fique. Uma percentagem só fica convencida quando for campeão. Uma minoria ainda não digeriu um episódio que, nem por isso é público, mas que me chegou de uma fonte próxima... Jorge Jesus, após o campeonato soberbo na primeira época, na qual se tornou campeão, foi até à SAD mostrar uma proposta do FC Porto. Segundo me disseram, Rui Costa abriu-lhe a porta e disse adeus... Luís Filipe Vieira, depois de campeonato de sonho, não podia deixar fugir o treinador que voltou a fazer os adeptos sonhar. Bom, a ser mentira, pergunto: por que razão Rui Costa desapareceu? Por que razão é Jorge Jesus o 15.º treinador mais bem pago da Europa? Por que razão Hélder, ex-jogador do Benfica, disse no último "Grande Área" (vejam, minuto 65) "o Benfica não pode estar agarrado a uma política de chantagem, não renovo, tenho o Porto... o Benfica tem de seguir o seu caminho"? Vejam o ar com que o diz, quando sabemos que é, provavelmente, próximo de Rui Costa... 

Conclusão: Jesus tem tudo para fazer uma dobradinha este ano. A Liga Europa fica na prateleira dos sonhos, quem sabe... Mas para mim Jesus não é como Mourinho, que ao ganhar tudo pode sair em grande e terá os colossos europeus atrás dele... quem quererá Jesus? Rubin Kazan? Seja quem for, a comunicação será sempre um problema. Sim, o Jaime Pacheco esteve na China e o Toni a deliciar-nos todas as semanas no Traktor do Irão, mas vocês sabem do que falo. José Mourinho ainda agora, em entrevista à RTP, revelou que domina o "inglês, espanhol, italiano e francês", alemão não, e por isso não se vê a treinar na Alemanha. Acho que o único grande clube que poderá estar interessado no JJ é o FC Porto.

A meu ver Jorge Jesus vai ficar no Benfica. Será cada vez mais unânime caso vença o campeonato, muito mais ainda com a dobradinha. Pode tornar-se o Wenger à portuguesa. Alguém imagina um treinador do Benfica a ficar no clube cinco, seis, sete anos? Eu não, nunca vi. Se o ciclo está a mudar ou não, não sei, mas Jesus sabe perfeitamente que pode assinar o seu nome como o melhor treinador da história do futebol português. Com dois títulos (se ganhar este ano), fica apenas a um de Jesualdo Ferreira e Artur Jorge. Do Benfica nem falo, Jesus foi apenas o terceiro campeão português, depois de Toni e Mário Wilson.

18 portugueses campeões em Portugal (27 títulos):
Jesualdo Ferreira (3), Artur Jorge (3), António Oliveira (2), Cândido de Oliveira (2), J. M. Pedroto (2), José Mourinho (2), Toni (2), Jorge Jesus, Augusto Inácio, Augusto Silva, Fernando Mendes, Fernando Santos, Fernando Vaz, Jaime Pacheco, Juca, Mário Lino, Mário Wilson e Tavares da Silva

Wolfswinkel (80 jogos, 39 golos) no Norwich: é jogador para mais?


Ricky Van Wolfswinkel, uma das poucas jóias do clube de Alvalade vai jogar de amarelo na próxima época, no Norwich de Inglaterra. A proposta inicialmente rejeitada, de 10 milhões de euros, foi agora aceite, o que permitirá ao clube de Alvalade ter os salários em dia.

Muitas pessoas se têm questionado não sobre a venda, mas sobre o clube a quem foi vendido Wolfswinkel. Creio que este pensamento é errado. O Norwich é, actualmente, o 12º classificado de uma das ligas mais fortes do mundo, se não mesmo a mais forte. Wolfswinkel é um avançado que ainda tem margem de evolução é certo, mas o seu nível ainda não é satisfatório para os tubarões, que, supostamente, andavam de olho nele.

Recordemos as palavras de Van der Gaag aquando da aquisição do holandês: “Bojinov é visto como a grande aquisição e isso vai dificultar a Van Wolfswinkel a entrada directa no onze titular. Vai ser difícil no início para ele e dificilmente será titular. Ricky é, principalmente, uma aposta para o futuro. A transição de um clube de segunda linha holandesa para um clube de topo em Portugal é muito difícil”.

Ricky contrariou o treinador holandês, por mérito próprio mas também pelo falhanço inerente às restantes contratações. No Sporting conseguiu uma média respeitável de meio golo por jogo, com 25 marcados na primeira época, e 14 no decorrer desta, num total de 80 jogos. Apesar disto, Wolfswinkel ainda não estaria ao nível de um matador que seria cobiçado pelo Europa inteira, como em tempos o foi Mário Jardel.

Lázio, Manchester United, Chelsea, Tottenham, Liverpool, Newcastle, Sunderland, Norwich, Valência, Zenit e Dínamo de Kiev foram alguns dos interessados no avançado que fizeram notícia em Portugal. Segundo consta, o jogador esteve próximo dos ucranianos do Dínamo de Kiev por um valor superior àquele que foi acordado com o Norwich, e que ainda envolvia o empréstimo de bons jogadores (Marco Rubén e Milevskyi).

Não considero que o holandês fosse capaz, pelo menos para já, de jogar na maior parte dos clubes acima citados. Van Wolfswinkel não é Van Persie, Luis Suárez, ou Emmanuel Adebayor. Se quisesse jogar num campeonato de alto nível, o holandês teria, irremediavelmente, de ir para uma equipa modesta, de meio da tabela.

Quanto à parte financeira da transferência, o Sporting recebe 10 milhões, alegadamente apenas sete a pronto e três por objectivos. Desses 10 milhões apenas 3,5 vão para os cofres do clube de Alvalade, que já tinha alienado 65% do valor do jogador a duas entidades, 50% à empresa Quality Football Ireland III Limited por 2.537.500 euros e 15% ao Sporting Portugal Fund por 975.000 euros. Se tivermos em conta que o jogador foi comprado por 5,075 milhões, e que o Sporting encaixou cerca de sete milhões no total pelo jogador, o lucro foi de apenas dois milhões, o que é manifestamente pouco.

Sabemos que há muitas condicionantes para que um negócio seja satisfatório, e apesar do jogador estar bem cotado, a saúde financeira do clube não lhe permitiu tirar maiores dividendos com a sua venda. Para os restantes donos do passe do jogador este foi um bom negócio, que lhes permitiu dobrar o investimento em apenas alguns meses.


Jorge Garcia

Norwich City. Conheça o novo clube de Wolfswinkel

O Norwich é actualmente o 12.º classificado na Premier League, com sete pontos acima da linha de água. Em 30 jogos, os ingleses têm apenas sete vitórias, 13 empates e dez derrotas.

Quem sabe se Wolfswinkel não arranca para uma boa carreira como dois dos seus antecessores no clube: Chris Sutton (1991/1992) e Peter Crouch (2003/2004).

Este é um clube com 110 anos de vida, criado no Criterion Cafe, em White Lion Street, por Robert Webster e Joseph Cowper Nutchey. O palmarés é tímido, como fazia adivinhar um clube como este: três Championship (72, 86 e 2004 - equivalente à 2.ª divisão), uma League One (2010 - equivalente à 3.ª divisão) e dois troféus da Taça da Liga (62 e 85).

Peter Crouch jogava no plantel da equipa que subiu à Premier League em 2004, onde terá apenas marcado quatro golos, segundo o Soccerway. Já na última vitória na Taça da Liga, frente ao Sunderland, o clube dos canários venceu com um golo na própria baliza. Na defesa estava o actual treinador do Hull City, Steve Bruce

Actualmente o Norwich City é treinado por Christopher Hugton, um treinador irlandês de 54 anos, que já passou pelo Birmingham e Newcastle. No Tottenham e ao serviço da selecção do seu país foi treinador adjunto. O melhor marcador da equipa é Grant Holt, de 31 anos, com apenas cinco golos.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Europa: veja quem são os melhores atacantes (médias, percentagem de golos da equipa e quanto tempo precisam para marcar)


                                                                                                                              Fonte: www.zerozero.pt


                                                                                                                              Fonte: www.zerozero.pt



Fonte: www.zerozero.pt 



fonte: www.zerozero.pt


Os grandes denominadores comuns destes tops de goleadores são, sem sombra de dúvidas, o inevitável Lionel Messi, e para surpresa de muitos, Wilfried Bony, um jogador a quem antevemos um grande futuro na Europa e também no ataque d’Os Elefantes, a Costa do Marfim.
Destacamos ainda a presença de alguns “portugueses”, como são o caso de Jackson Martínez, que só não acompanha os dois nomes acima citados pela grande capacidade ofensiva do Porto, Óscar Cardozo, que já falhou alguns jogos do campeonato, e Meyong, agora por terras africanas mais ainda de pé quente.
Com o mesmo problema de Jackson Martínez, temos o incontornável Cristiano Ronaldo, que também se mostra numa grande forma, mas pelo facto de jogar numa grande equipa não consegue ter um grande destaque na percentagem de golos do Real Madrid.

Jorge Garcia

O mito de Vítor Pereira

Quando confrontado com a vantagem de quatro pontos do rival Benfica, Vítor Pereira, o treinador dos dragões, apressou-se a fazer um paralelo com o passado distante, um tempo que lhe é querido e onde foi superior a Jorge Jesus.

“O ano passado a situação era mais complicada.” Esta afirmação será verdadeira? Como na maioria dos casos, ela é apenas parcialmente verdadeira. É verdade que o Benfica dispôs de cinco pontos de avanço, mais um do que tem agora. Mas também é verdade que essa diferença ocorreu na jornadas 17 e 18, ou seja, sensivelmente a meio do campeonato.

Após a jornada 21, e num jogo entre candidatos na Luz, o Porto acabou não só por suprimir a vantagem benfiquista, como conseguiu chegar-se à frente da tabela classificativa, com três pontos de avanço. O que isto nos diz é que a julgar pelo ano passado, o Porto ainda vai a tempo de ser campeão. Por outro lado, estamos a caminho da jornada 24, ou seja, na recta final do campeonato, o que indica que o Benfica tem tudo para se agarrar ao primeiro lugar.

Como diz a sabedoria popular “um homem prevenido, vale por dois”, e Jorge Jesus é um homem prevenido, que já caiu no erro de perder vantagens preciosas, mas que mais que nunca entendeu que o que interessa ao Benfica é o campeonato, e tem sido nesses jogos aqueles em que o glorioso entra sem poupanças, sem invenções como as de Bordéus ou Braga.

Seguindo a lógica do campeonato do ano passado, em que depois do monumental deslize do clube da capital, Benfica e Porto perderam mais sete e quatro pontos, respectivamente, prevê-se que, pelo menos com um empate no dragão, a equipa de Jorge Jesus tenha todas as condições para ser campeã, sendo que até à jornada 24 (incluída), o Porto perdeu quatro pontos e o Benfica dois.

Ambos os clubes precisam de sobreviver à próxima jornada, que roubou dois pontos a cada equipa no ano passado. Depois disto, o Benfica precisa de fazer pontos nos Barreiros no dragão e na recepção ao Sporting, ao passo que o Porto precisa de pontuar em Paços de Ferreira, e no dragão contra Benfica e Braga, teoricamente as três equipas mais complicadas do campeonato.


Jorge Garcia

terça-feira, 19 de março de 2013

Benfica não pode encomendar as faixas de campeão mas...

O empate do FC Porto no Funchal deixa a via aberta para o Benfica conquistar o título. Como tão bem lembra o jornal i, desde 1987, quem liderava o campeonato a sete jornadas do fim foi campeão.
Mas isso não chega. Analisemos os calendários de ambos os clubes:

Académica (f), Sp. Braga (c), Moreirense (f), Setúbal (c), Nacional (f), Benfica (c), Paços Ferreira (f)
Rio Ave (c), Olhanense (f), Sporting (c), Marítimo (f), Estoril-Praia (c), FC Porto (f), Moreirense (c)

O mais relevante factor a dar nota: enquanto o Benfica vai jogar quatro vezes em casa, o FC Porto terá apenas três jogos caseiros, entre eles com Sp. Braga e o principal rival.

Poderá o Benfica encomendar as faixas? Eu diria que não. A recepção ao Sporting é sempre imprevisível, o orgulho dos "leões" costuma vir ao de cima nestes jogos. A deslocação ao campo do Marítimo - onde o FC Porto acabou de perder dois pontos - será muito complicada, mas é provável que os madeirenses se dêem pior com uma equipa parecida com a deles, que aposta em esticar o jogo nas transições rápidas. Quanto ao jogo no Dragão... mesmo com esta confiança toda, aposto que os adeptos da Luz preferem não arriscar e ir com os quatro pontos de avanço, pois sabem perfeitamente que o FC Porto tem mais estofo para estes jogos decisivos. Alguns até dizem "se bastar empatar, perdemos...". Chama-se respeito. E ninguém pode esquecer o fantasma dos cinco pontos de avanço do ano passado... sim, Jesus parece menos cientista e inventa menos mas...

O FC Porto terá deslocações dificílimas aos campos do Nacional e Paços de Ferreira, a sensação do campeonato. É essencial o FC Porto ganhar os dois próximos jogos porque o Benfica terá depois outros dois bastante complicados (Sporting e Marítimo), onde pode muito bem perder quatro pontos.

Os dois candidatos ao título continuam sem perder, mas o Benfica é mais forte na finalização e isso tem feito a diferença. Os encarnados têm mais oito golos marcados do que o FC Porto. Faz sentido se pensarmos na abordagem ao jogo, por vezes meio tresloucada, e na qualidade (e quantidade) dos avançados ao dispor de Jorge Jesus. Já no FC Porto causa estranheza a ausência de Liedson num jogo como o de domingo, onde era enorme a necessidade de um golo. A actual forma de Varela deixa muito a desejar. Otamendi continua a parecer-me um flop, não me convence. Atsu magoou-se quando finalmente ganhou a merecida titularidade. Izmailov parece ser mais um tiro no pé dos dragões, tal como Liedson, e pouco tem contribuído. James é um craque mas está com falta de andamento. Quem substitui Moutinho? ... A evidência? O plantel do FC Porto está mal desenhado e o clube deverá pagar caro por isso. Lembro ainda o empate caseiro frente ao Olhanense (18.ª jornada): o campeão nacional a precisar de mudar as coisas, num jogo que até começou a perder com um golo de Targino, e quem é que Vítor Pereira colocou em campo? Tozé (20 anos), Sebá (20) e Liedson. Dois jogadores inexperientes e um jogador "fora dela", como se costuma dizer em futebolês, para mudar o rumo do jogo. Incompreensível e pouco comum num clube como o FC Porto.

As próximas duas jornadas podem ditar o campeão. Se o FC Porto tropeçar com o Sp. Braga e o Benfica chegar aos seis pontos de avanço, está feito.

Falta referir ainda que a saída do FC Porto das competições europeias pode jogar a seu favor a nível físico, mas é provável que haja um sentimento de desilusão. O Benfica está e tem perspectivas de continuar na Liga Europa (Newcastle). Veremos se terá peso, Jesus tem surpreendido ao gerir a equipa.

O Benfica é favorito? Sim. Os quatro pontos de avanço legitimam esta vulgaridade aguda que acabei de escrever... mas também o calendário é favorável ao clube da Luz.