domingo, 28 de agosto de 2011

Vítor Pereira: Conceito de Estratégia

Sim, o título é inspirado no Capitão Nascimento do BOPE mas prometo que não vou falar em grego, latim, alemão e espanhol ... só em português.
O Barça venceu sexta-feira o FC Porto por 2-0 no jogo que decide o mais forte entre o campeão europeu e o vencedor da Liga Europa.
Primeiro, uma palavra para a UEFA: como é possível a supertaça europeia ser jogada naquele relvado? Barcelona e FC Porto mereciam um relvado perfeito.
Os Blaugrana eram favoritos e conquistaram o 74º título da sua História, tornando-se no clube espanhol com mais troféus, mas tenho de referir a forma como Vítor Pereira abordou o jogo.

O ex-treinador adjunto de Villas Boas manteve a táctica que joga sempre - 4.3.3 - com Souza, Moutinho e Guarín, na frente Rodriguez, Hulk e Kleber. A primeira mensagem para os jogadores foi esta: "somos Porto e não mudamos contra ninguém". Esse tipo de mentalidade e atitude é uma injecção de moral para os jogadores. Na defesa faltou Álvaro Pereira, de saída do clube diz-se. Jogou Fucile no seu lugar, e Sapunaru no lado direito, a dupla de centrais foi Rolando e o argentino Otamendi. Podemos sempre falar do relvado mas prefiro dar esmagadora maioria de percentagem de mérito ao FC Porto quando obrigou o Barça jogar mal muitas vezes e até mandar a bola para fora.
Vítor Pereira deu uma lição à Europa ao defender o futebol do Barcelona no meio campo adversário, sem recorrer a autocarros ou jogar no buraco. Pressão constante e de qualidade está só ao nível de grandes jogadores, com cultura táctica e com grande capacidade física. Sim, na segunda-parte o FC Porto quebrou um pouco fisicamente mas a forma como sofreu o golo - Guarín isolou Messi - contribuiu para o desanimo. É certo que não foi o FC Porto tradicional, isto é, ofensivo, com futebol mais fluído, mas o rigor táctico e competência defensiva para parar jogadores como Xavi, Iniesta e Messi levam a uma velha máxima no futebol: "tapa-se de um lado, destapa-se de outro". Para não falar da exemplar competência defensiva do Barcelona, ainda que só em 30% do tempo dos jogos normalmente. Relativamente ao Barcelona referir que jogou sem a dupla de centrais titular (Puyol e Piqué) e a decisão de Guardiola em colocar Keyta em detrimento de Busquets. Julgo que esta opção teve como origem o estado do relvado, isto porque o espanhol é um jogador com um futebol de risco por vezes, tem muita confiança, e defensivamente não é um jogador de choque. Guardiola previu uma batalha complicada no meio-campo. A defesa trabalhou muito bem, tanto nos duelos individuais como na defesa em linha apanhando Villa muitas vezes em fora-de-jogo. Moutinho por exemplo esteve muito apagado na primeira-parte, na segunda-parte cresceu. Guarín teve um jogo infeliz, desde o passe para Messi até à expulsão dispensável. Souza não tremeu, eu não esperava tanto à vontade num jogo daqueles por parte do jovem trinco brasileiro. Rodriguez foi a surpresa e aposta ganha. Muito atento no trabalho defensivo, nomeadamente às subidas de Daniel Alves. No ataque não produziu muito, vitima do que sofreu o ataque dos Dragões, muito trabalho defensivo retira explosão e capacidade para boas decisões. Hulk foi o grande prejudicado desse facto. Correu muito para ajudar no processo defensivo, na primeira-parte ainda desequilibrou num ou noutro lance mas na segunda-parte desapareceu. Kleber foi o jogador esforçado do costume, pressionou muito, ainda mostrou alguns pormenores técnicos mas em algumas ocasiões demorou a soltar a bola, umas vezes por falta de apoio, várias porque simplesmente não soltou.

O Conceito de Estratégia de Vítor Pereira foi brilhante e corajoso a meu ver. Manter ADN do FC Porto, valorizar os seus jogadores, passar a mensagem que não muda nada nem contra a melhor equipa do mundo. É verdade que perdeu o jogo, mas julgo que a equipa saiu ainda mais forte, unida e competente. Os adeptos estão orgulhosos pela sua equipa, registei a forma como um rapaz apoiou Guarín já no aeroporto Francisco Sá Carneiro. Desgostosos porque viram perder um grande FC Porto que merecia mais, desgostosos porque viram o Barcelona marcar um golo através de um erro individual impensável a este nível, desgostosos porque viram um penalty claro não ser marcado já perto do final do jogo. Mais tarde, depois de um passe magistral de Messi, Cesc Fabregas fez o 2-0 com a classe do costume.
Apesar de todos os elogios a Vítor Pereira, tenho uma critica: com o desenrolar da segunda-parte e com o visível cansaço a apoderar-se das pernas dos jogadores, pareceu-me que o treinador estava satisfeito com o 1-0. A entrada de Varela é natural. A substituição de Souza por Fernando com o fim de melhorar e refrescar o meio campo parece-me também normal. No entanto, foi quando trocou Kleber por Belluschi que eu senti que estava satisfeito com o resultado. Acho que foi traído pelo medo ao ver o cansaço da equipa. Ver Guarín como jogador mais avançado não faz qualquer sentido, nem que chutasse três vezes melhor que o Sanchez. Pensei que VP iria fazer entrar Djalma para manter o trabalho defensivo e de pressão, e de quem sabe desequilibrar, e lançar Hulk para o centro do ataque. Julguei que Hulk seria o striker de serviço por algumas razões: estava muito fatigado e menos competente a defender, não recebia bolas já de frente para o lateral esquerdo e aí não desequilibra com a facilidade do costume, e, finalmente, ao estar na linha limite da defesa, poderia virar e ganhar as costas da defesa com mais facilidade.
Em Portugal, acredito que os rivais directos olharam com preocupação para a exibição do FC Porto.
Resta-me fazer uma queixa a Pep Guardiola: o Futebol quer Fabregas 90 minutos se faz favor.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Portugal vs Europa (sorteio, adversários, ameaças)

As equipas portuguesas já sabem os adversários na Liga dos Campeões e Liga Europa. Neste artigo vou tentar fazer uma espécie de antevisão e dar a conhecer os adversários das nossas equipas.

Liga dos Campeões

Grupo C

Manchester United
SL Benfica
Basileia
FC Otelul

O sorteio foi simpático para os Encarnados, é a primeira conclusão a que chego. A segunda conclusão é que Jorge Jesus está obrigado a atingir os oitavos de final.
Do Manchester United pouco há a dizer a não ser referir as entradas do guarda redes de Gea (ex-Atletico de Madrid), do central de 19 anos Phil Jones (ex-Blackburn) e do extremo Ashley Young (ex-Aston Villa). Sir Alex Ferguson já nos habituou a grandes resultados e o primeiro lugar do Grupo C está reservado para o colosso inglês. Não posso deixar de referir que fico perplexo com a falta de contratações sonantes, mas fico ainda mais com o facto do clube continuar a ganhar. O ano passado campeão inglês e derrotado na final Champions, este ano a perder 2-0 na supertaça com o rival de Manchester, conseguiu a remontada.
As outras duas equipas que calharam em sorte ao Benfica permitem ao clube da Luz imaginar-se já nos oitavos. Não sou grande conhecedor do campeão da Suiça mas julgo que o treinador alemão Thorsten Fink tem à sua disposição uma dupla de avançados interessante e muito experiente: Marco Streller e Alexander Frei. O FC Otelul ganhou pela primeira vez o campeonato do seu país e venceu a supertaça da Roménia na presente época.

Grupo G

FC Porto
Shakhtar Donetsk
Apoel
Zenit

Tenho a firme convicção que o FC Porto vai chegar aos oitavos de final. O vencedor da última edição da Liga Europa tem essa obrigação. É já um nome muito respeitado na Liga dos Campeões e um dos clubes com mais presenças na conceituada prova europeia. Troféus e prestigio fazem parte do ADN do clube mas as palavras de Pep Guardiola antes da supertaça europeia no Mónaco são, definitivamente, um carimbo de qualidade e respeito para com o campeão nacional português. Acho que é sempre importante não esquecer os feitos do clube que joga no Dragão: nos últimos oito anos venceu duas Taças Uefa (a segunda já Liga Europa) e uma Liga dos Campeões. Ganhou mais provas a nível europeu do que os principais rivais a nível interno, pensando em campeonato nacionais. São poucos os clubes que se podem orgulhar de uma primeira década do século XXI tão boa. Relativamente à edição deste ano da Champions, não será tão fácil quanto ando a ouvir por ai, entendo que as (longas) deslocações à Ucrânia e Rússia poderão ser complicadas.
A presença do campeão ucraniano na Champions é já vista como natural e muito levada a sério. O conceituado técnico Mircea Lucescu tem à sua disposição um leque de jogadores brasileiros com muito talento e prontinhos para dar dores de cabeça à equipa de Vitor Pereira. Na baliza tem Pyatov, um gigante já habituado a estas andanças. Na defesa destaco dois jogadores: Srna e Chygrynskiy (ex-Barcelona). O meio campo tem jogadores como Jadson (selecção Brasileira), Fernandinho, Willian (23 anos) e Douglas Costa (20 anos), um desequilibrador nato, outrora referenciado pelo Manchester United. Tem outros dois jogadores brasileiros que não conheço mas que estão com regularidade nas selecções jovens do Brasil: Alex Teixeira (21 anos) e Alan Patrick (20 anos). No ataque tem o belíssimo jogador croata (origem brasileira) Eduardo da Silva (ex-Arsenal), Luiz Adriano (24 anos), Marcelo Moreno e o reforço brasileiro Dentinho (22 anos). A juventude e a irreverência desta equipa poderão colocar grandes problemas ao clube da Invicta. Esta equipa tenta uma espécie de tiki-taka mas a meu ver mais desconcertante, ou seja, não é perfeito como o original mas permite que seja algo mais imprevisível. O Shakhtar venceu o campeonato com 23 vitórias em 30 jogos (+7 pontos que o Dinamo Kiev).
O Apoel é o campeão cipriota e tem vários jogadores que já passaram por Portugal. O central Paulo Jorge, ex-SC Braga, um jogador que até me chamava a atenção por cá, pela sua sobriedade e segurança. No meio campo há Hélio Roque, formado no SL Benfica e Nuno Morais, aquele que José Mourinho foi buscar para o Chelsea. No ataque está o esquerdino Manduca, que chegou a prometer no SL Benfica mas desiludiu. Uma boa notícia para o FC Porto é a saída do avançado Milan Mrdakovic, o jogador sérvio foi o melhor marcador do campeonato com 21 golos. Não conhecendo os restantes jogadores parece-me uma equipa muito acessível para este FC Porto.
Finalmente, o Zenit e o reencontro com Bruno Alves. Campeão russo com 20 vitórias em 30 jogos, o vencedor da Taça Uefa em 2007/2008 tem jogadores como Bruno Alves, o ex-capitão dos Dragões, Domenico Criscito (ex-Génova), Danny, Rosina, Szabolcs Huszti (internacional húngaro, esquerdino, parece rápido e com técnica) e no ataque Lazovic e Kerzhakov. O treinador é o italiano Luciano Spalletti (ex-AS Roma). Mais uma vez prevejo que é uma equipa acessível mas a deslocação à Rússia poderá ser complicada.

Liga Europa

Grupo D

Lazio
Sporting CP
Zurique
Vaslui

Não me parece um grupo simpático para o tímido Sporting deste inicio de época mas julgo que a equipa leonina vai crescer e melhorar bastante e que reúne as condições para a passagem à fase seguinte. Analisando este início de época dos Leões rapidamente concluo que vão ter problemas em jogos com a Lazio e com o Zurique, admito que não conheço o Vaslui.
Começando pela Lazio, na defesa há alguns nomes conhecidos como Konko (ex-Sevilha), Radu, Garrido, Zauri, Stankevicius. No meio campo há o internacional italiano Mauri, os brasileiros Matuzalém e Hernanes, Ledesma, Brocchi e o ex-Palermo Mark Bresciano. Se a Lazio for a tradicional equipa italiana que defende bem e fechada, julgo que será 1º classificado destacado deste grupo porque o ataque tem muita qualidade: Djibril Cissé, Miroslav Klose, Mauro Zaraté e Rocchi.
O Zurique é uma equipa a ter em atenção porque ficou em 2º lugar do campeonato suíço a apenas um ponto (!) do campeão Basileia. Curioso que as duas melhores equipas da suíça encontram equipas lusas nas competições europeias, é sinónimo de muitos emigrantes a apoiar os dois clubes lisboetas. É oportuno referir que na pré-eliminatória da Liga Europa, o SC Braga jogou também contra Young Boys, 3º classificado do campeonato suíço. Observei o Zurique contra o Bayern Munique na pré-eliminatória da Champions e confesso que não tomei muita atenção mas pareceu-me ser capaz a espaços de lançar contra ataque perigosos para o avançado tunisino Chermiti. De salientar a presença de um jogador português no onze do Zurique, Jorge Teixeira, central formado no Sporting CP, pareceu-me interessante a sair a jogar com tranquilidade e a defender (1.88m).
O Vaslui terminou o campeonato romeno em 3º lugar a cinco pontos do campeão FC Otelul. Tem jogadores como o lateral esquerdo formado no FC Porto Hugo Luz, Wesley, o esquerdino que passou pelo Paços de Ferreira e Leixões. Na frente, está a eterna promessa já trintão Adaílton (ex-Génova, Verona ...).

Grupo H

SC Braga
Birmingham
Club Brugge
NK Maribor

O SC Braga foi o finalista vencido da edição do ano passado da Liga Europa, por isso tem a legítima ambição e quase obrigação, pelo passado recente, de atingir a próxima fase da prova. Acabo de me lembrar das palavras de Leonardo Jardim aquando da vitória com Marítimo: "para eles perder 2-0 com um candidato ao título não é mau". Bom, afinal considero uma obrigação passar este grupo. Haja ambição.
O Birmingham é uma equipa do segundo escalão de Inglaterra mas nem por isso deverá ser levado pouco a sério. Está na Liga Europa porque venceu a Taça da Liga ao poderoso Arsenal por 2-1 em Wembley com golos do gigante Zigic e Obafemi Martins. Na defesa tem jogadores experientes como Carr, Caldwell e Ridgewell. Do meio campo para a frente destaco Nikola Zigic, o gigante de 202cm, ponta de lança que já jogou no Valencia.
O Club Brugge ficou em 4º lugar no campeonato belga a oito pontos do campeão Genk. Uma boa notícia para Leonardo Jardim é que perdeu o melhor marcador da prova, o médio Ivan Perisic marcou 22 golos, transferiu-se este verão para o Borussia Dortmund. Não conheço um único jogador da equipa à disposição do técnico holandês Adrie Koster.
Finalmente, o NK Maribor, equipa que desconheço por completo mas que venceu o campeonato esloveno com 21 vitórias em 36 jogos. Arriscando um palpite para a grande ameaça da equipa, diria Marcos Tavares, o brasileiro foi o melhor marcador do campeonato com 16 golos.

Resta-me desejar boa sorte para as equipas portuguesas, levem o nome de Portugal bem alto.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

4.3.3 forever?

SL Benfica venceu ontem o Twente por 3-1 e está qualificado para a fase de grupos da Liga dos Campeões. A equipa de Jorge Jesus fez a melhor exibição da época. Golos de Luisão e dois de ... Axel Witsel, aquele que no último artigo disse que seria o jogador ideal para fazer a ligação com Javi Garcia e Aimar e que levaria o Benfica para outro patamar.

Pergunto-me se Jorge Jesus vai começar a levar a sério o campeonato português, isto porque nos jogos com Gil Vicente e Feirense jogou com a sua táctica preferida, o tal losango desequilibrado, e nos jogos da Champions, que era o grande objectivo do início de época, jogou em 4.3.3 e com sucesso. A sua sede pela nota artística e a cegueira para jogar para a frente com 4 avançados (+ Aimar) roubou dois pontos ao clube da Luz, quem viu o jogo de ontem viu várias coisas: equipa mais equilibrada, meio campo sólido, transições defensivas mais eficazes, vimos um Javi Garcia muito melhor porque não jogou contra o mundo e já tinha Witsel por perto, vimos um Aimar melhor porque não tem de andar a correr feito louco para tentar chegar perto de Javi no momento que a equipa perde a bola porque Witsel já estava perto de Javi, vimos que a equipa assim consegue trocar a bola, vimos que assim é possível controlar e dominar um jogo ... que é preciso mais Jorge Jesus?

Que dizer de Pablo Aimar? Continuo a dizer, faça ou não os 90 minutos, que é um jogador de classe mundial, toca na bola como ninguém, diverte-se a jogar à bola, faz jogar, está muito agressivo a pressionar, e é simplesmente um génio.

Artur foi novamente um gigante. Sempre concentrado, competente, seguro.

Analisando agora por sectores, a defesa está cada vez melhor, a dupla de centrais parece estar cada vez mais sólida e cúmplice, Maxi a voltar ao normal, Emerson fez uma exibição muito interessante, defendeu bem, é competente, parece que é daqueles jogadores que se diz "não compromete", mas ontem demonstrou que esse título redutor não se encaixa, apareceu várias vezes no ataque, rápido, confiante com a bola no pé, com vontade de participar naquela que foi a melhor exibição dos Encarnados. É importante referir que o clube da Luz continua a sofrer golos e isso é, definitivamente, uma dor de cabeça para Jorge Jesus. O meio campo como já referi fica a ganhar com a entrada de Witsel, mas principalmente fica a ganhar quando jogam três jogadores. Javi Garcia ganha dimensão, toca mais vezes na bola e a presença de Witsel permitiu que o espanhol subisse duas ou três vezes para tentar o remate à baliza do Twente. A defender já se sabe, Javi Garcia é muito competente e consegue ocupar uma vasta área do terreno. Witsel empresta músculo e classe ao meio campo, Aimar é o génio, basta dizer assim. Os elos mais fracos foram Nolito, que interrompeu a sua série de cinco jogos a marcar, e Gaitán. Nolito parece ser um jogador ansioso e que quer fazer tudo e rápido demais, fisicamente parece-me algo frágil também, não só no choque, mas parece-me também não ter andamento. Nico Gaitán é para mim jogador para chegar ao Manchester United, digo isto desde que vi como toca na bola com o pé esquerdo, mas parece que anda desmotivado ou vaidoso, acho que lhe faria bem fazer uma viagem ao banquillo. Resta-me falar do avançado, Oscar Cardozo. Jorge Jesus, clube e o jogador têm protagonizado uma espécie de campanha de charme para promover a paz entre adeptos e o jogador. Admito que também não aprecio o avançado mas sim, faz golos. Ontem fez uma exibição positiva, esforçada, isolou Witsel para o terceiro golo. Merecia marcar um golo.

O sorteio dos grupos da Champions é hoje às 16.45h no Monaco. Aqui estão os clubes e os respectivos potes:

POTE 1

Manchester United
Barcelona
Chelsea
Arsenal
Bayern Munique
Real Madrid
FC PORTO
Inter

POTE 2

AC Milan
Lyon
Shakhtar
Valencia
SL BENFICA
Villarreal
CSKA
Marselha


POTE 3


Zenit
Ajax
Bayer Leverkusen
Olympiakos
Manchester City
Lille
Basileia
BATE

POTE 4

Borussia Dortmund
Nápoles
Dinamo Zagreb
Apoel
Trabzonspor
Genk
Otelul Galati
Plzen



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

LIGA ZON SAGRES - ARRANQUE

É desta, vou dinamizar este blog de vez ...

Mais um ano, mais um campeonato, expectativas e sonhos renovados.

O FC Porto procura renovar o título, este ano liderado por Vitor Pereira, o treinador adjunto de André Villas Boas no ano passado. O SL Benfica teve mais um verão atribulado com a chegada de muitos jogadores e espera lutar pelo campeonato até ao fim. Finalmente, o Sporting CP de Domingos Paciência tem o grande objectivo de fazer esquecer as últimas duas épocas pouco dignas de um grande clube.

Duas jornadas cumpridas e temos já deslizes do SL Benfica e Sporting CP. Uma palavra para a Académica de Pedro Emanuel que está a começar a temporada da melhor forma, com duas vitórias frente a uma (ainda) frágil União de Leiria e Rio Ave, a sempre competitiva equipa de Carlos Brito.

O FC Porto venceu os dois primeiros jogos contra Guimarães fora e Gil Vicente em casa. Como tive ausente não posso comentar estes jogos mas de registar o arranque forte do inevitável Hulk: 2 jogos, 3 golos.
O clube de Vítor Pereira começa o ano como mais forte candidato ao titulo. Do plantel saíram Falcao e Rúben Micael e entraram os jogadores Bracalli, Mangala, Alex Sandro, Defour, Kelvin, Kleber, Djalma e Iturbe. Danilo chegará em Janeiro.
Jogadores muito jovens mas tendo como lição James Rodriguez, é esperar para ver. Uma dúvida é saber se a saída de Radamel Falcao irá trazer outro avançado ou se chegam Walter e Kleber.
AVB acaba de contratar Mata ao Valência mas tenho alguma expectativa para saber se até fim de Agosto vai ou não perder a cabeça por João Moutinho, visto que o seu Chelsea parece-me muito frágil e pouco dinâmico. Fernando, Guarín e Álvaro Pereira podem também estar a ser alvo de cobiça por parte de grandes clubes europeus.

O SL Benfica parece estar refém de um treinador agarrado ao passado. Mais um ano, mais uma revolução mas nem por isso a táctica é alterada. JJ parece ainda não ter digerido a perda de Ramires para o Chelsea, pois continua a jogar com o seu famoso losango desequilibrado. Antes, tinha em Ramires um soldado incrível para dar apoio ao ataque a uma velocidade furiosa mas mais importante, tinha em Ramires um ajudante de Javi na tarefa defensiva. Era o melhor e mais eficaz jogador na transição defensiva. Desde o ano passado com Salvio, JJ joga num falso losango (sempre foi) mas com dois extremos, o que leva ao desequilíbrio da equipa no momento que perde a bola. O ano passado com Gaitan e Salvio, este ano com Nolito e Gaitan. Witsel parece ser o jogador chave para ligar Javi e Aimar, manter a equipa sólida e com possibilidades de controlar o jogo.
O SL Benfica empatou em Barcelos com o Gil Vicente por 2-2, e na última jornada venceu com dificuldades o Feirense por 3-1.

O Sporting CP teve o pior arranque dos três grandes: 2 empates. O primeiro empate foi em casa contra o Olhanense, neste jogo Hélder Postiga teve um golo mal anulado mas de registar também a agressão de Jeffren a um jogador do clube de Olhão. Na segunda jornada, os Leões deslocaram-se a Aveiro para defrontar o Beira-Mar, equipa treinada por Rui Bento. Domingos Paciência desenhou uma equipa ofensiva com Schaars, Matias, Djalo, Capel e Wolfswinkel, mas aos 36 minutos mexeu no seu onze: saíram Djalo e Matias, entraram Postiga e Izmailov. Domingos enviou uma mensagem à equipa de que não estava satisfeito e era hora de acordar. Na 2ª parte o Sporting CP teve oportunidades para marcar por Postiga, Wolfswinkel e Capel, esta escandalosa, mas sem sucesso.
Nota positiva para Capel, boa estreia a titular com vários cruzamentos perigosos para a área do Beira-Mar. Não parece tão rápido quanto o Capel de Sevilha que cheguei a ver, mas é sem duvida a melhor solução para aquele posto. Uma palavra também para o incansável Rinaudo, recentemente chamado à selecção das Pampas, faz o seu trabalho de forma eficaz e entrega a bola a quem tem de construir o jogo leonino: Matias e Schaars.

As expectativas são muitas para saber como vai reagir o FC Porto sem Falcao (pensando a longo prazo ...), e se este FC Porto vai chegar ao nível da equipa do ano passado, expectativas para saber com que táctica vai jogar Jorge Jesus daqui para a frente, visto que até aqui não conseguiu controlar e dominar dois recém-promovidos, e também, como Domingos Paciência vai resolver a falta de eficácia da finalização leonina, talvez um workshop dado pelo próprio não seria mal pensado.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

FC BARCELONA - 2010/2011

A Liga BBVA está relançada após o empate do Barcelona em Gijón, permitindo a aproximação do Real Madrid, são agora cinco os pontos que separam os dois colossos de Espanha.

Barcelona e Madrid, duas cidades, dois clubes, duas politicas, duas grandes equipas, dois grandes treinadores.

Neste fim de semana, José Mourinho completou nove anos (148 jogos) sem derrotas caseiras. A última derrota caseira de José Mourinho foi ao serviço do Futebol Clube do Porto contra o Beira Mar, jogo no qual Fary saltou do banco para resolver. Relativamente a essa partida, o ex-treinador dos aveirenses, António Sousa, afirmou recentemente: "Viu-se logo que estávamos a defrontar um treinador sem medo, que ia mexer nas coisas, no futebol português e não só". Isto porque nesse jogo Deco e Jorge Andrade tinham sido expulsos e ainda assim José Mourinho tentou vencer o jogo.

Josep Guardiola garantiu esta noite a 79ª vitória no seu 100º jogo na liga à frente dos Culés. Não posso deixar de referir os números astronómicos da obra prima do ex-capitão blaugrana: 100 jogos, 79 vitorias, 14 empates e 7 derrotas. Inédito em Espanha!

Os estilos são completamente diferentes, o futebol é diferente, a postura é diferente, mas em comum têm os troféus. José Mourinho conquistou 17 troféus em dez anos de carreira. Pep Guardiola venceu 8 das 10 competições que entrou! Dois anos e meio de tiki-taka ... Épico? Si!! Dizer ainda que está traçado um novo desafio para José Mourinho: o Real Madrid nunca venceu Pep Guardiola.



O Barcelona joga em 1.4.3.3 no papel. Na verdade, quando tem a bola joga em 1.3.4.3, Daniel Alves torna-se um ala direito e faz o corredor direito todo. Puyol e Piqué são os obreiros da 1ª fase - construção. Seja em que ocasião for, começam a jogada sempre no pé, até nos pontapés de baliza abrem completamente, e os laterais posicionam-se no meio campo. A 2ª fase - preparação - é normalmente desenhada pelo trio do meio campo - Sergio Busquets, Xavi e Iniesta - e onde começam os primeiros desequilíbrios, com a colaboração dos laterais para uma progressão segura e coesa. Messi entra também, a espaços nesta fase do jogo. É a melhor equipa do mundo a jogar em espaços reduzidos e confiam totalmente no passe e recepção. Quantas vezes vemos Xavi simplesmente dar um passo ao lado a dar linha de passe? É certo que ele vai garantir a posse de bola e continuar o famoso tiki-taka. A 3ª fase - criação - mistura-se com a 2ª fase, isto porque o Barcelona joga sempre no pé e vai subindo em bloco, duma forma posicional e lenta, até chegar perto da grande área pela zona central ou quando abre um espaço na linha, normalmente é Dani Alves a aparecer a grande velocidade. Isto acontece com uma facilidade incrível porque os adversários do Barcelona normalmente jogam com os laterais muito fechados e perto dos centrais para reduzir espaços na zona central. Outra tendência do Barça é o atrair os adversários para um corredor e depois fazer uma rápida variação do flanco. O Barcelona explora muito as diagonais, normalmente Villa e Pedro. Pedro, proveniente da cantera, joga com os dois pés com uma facilidade incrível, faz as diagonais na perfeição com e sem bola, assiste muito e é goleador. David Villa, normalmente começa a jogada na esquerda e faz as diagonais sem bola, ou começa as triangulações com Iniesta e Messi até aparecer na zona do ponta de lança. Messi é a estrela maior desta equipa que vive do colectivo. Messi é quem dá o toque de génio à teia do Barça. Desequilibra sozinho e dá continudade às triangulações do meio campo. Assistências e golos é a essência do nº10 blaugrana. A 4ª fase - finalização - vive do tiki-taka que os "7 avançados" promovem até chegar à grande área, e das entradas frequentes de Dani Alves pelo lado direito. Os cruzamentos são maioritariamente rasteiros ou atrasados para a entrada dos médios vindos de trás - Inesta ou Xavi. O futebol do Barcelona é como uma teia, envolve os adversários, são levados a acreditar que aquele futebol de risco poderá ser anulado com uma pressão forte num momento chave, a verdade é que é esse espaço vazio criado por esse jogador que pressionou a bola que o Barcelona vai explorar de uma forma brilhante! É como se trocassem a bola pelo centro para atrair o máximo de adversários possível, convidando-os a encolher a equipa e depois um passe a rasgar na linha a criar o desequilíbrio. Um dado interessante: o trio de avançados, já apelidado de MVP (Messi, Villa e Pedro) já passou a barreira dos 70 golos esta época.
As transições defensivas são igualmente semelhantes a uma teia, pressionam muito forte assim que perdem a bola e raramente estão desposicionados, precisamente porque jogam um futebol posicional, com os jogadores muito próximos, a equipa curta, e sempre a "tocar" no pé. O que possibilita uma pressão sufocante no momento que perde a posse de bola pois normalmente estão muitos jogadores no centro de jogo.

Gostaria só de dar a conhecer uma variante táctica protagonizada hoje por Pep Guardiola, ante o Athletic Bilbao. Na ausência de Puyol, jogou Busquets a central e Mascherano a trinco. Villa jogou mais fixo na posição 9. Primeiro, dizer que a equipa perde muita capacidade na saída de bola e qualidade no passe e recepção com a presença do argentino, até pode ganhar em agressividade, mas uma equipa que muitas vezes ronda os 70% de posse de bola não tem de preocupar-se assim tanto com a vertente defensiva. A posse de bola sobrepõe-se à necessidade da conquista.
Hoje, frente ao Athletic, o usual 1.4.3.3 que se transforma em 1.3.4.3 na verdade transformou-se muitas vezes em 1.2.5.3. Isto aconteceu porque Busquets juntou-se muitas vezes a Mascherano para uma melhor qualidade da 2ª fase - preparação e 3ª fase - criação, deixando apenas Abidal e Piqué na linha defensiva.

É certo que foi uma das piores exibições do Barcelona (vitória garantida por Messi aos 78´) esta temporada mas são estas variantes tácticas que engrandecem o futebol, as equipas, os treinadores.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

(De)Formação


Estamos numa época onde as carências e a falta de qualidade tanto a nível de jogadores como de competitividade são gritantes. Julgo que chegou o momento de olharmos para a frente olhando para trás. Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto, Vítor Baía, Cristiano Ronaldo são exemplos brilhantes do sucesso da nossa cantera. A década brilhante que a Selecção Nacional respirou está a actuar contra o nosso futebol, a política desportiva e as decisões dos responsáveis pelo futebol estão a por em causa o futuro das selecções jovens e mais tarde a Selecção “A” pagará esse preço.

No futebol juvenil, a lei diz que apenas um estrangeiro é permitido por equipa, no entanto, os clubes conseguem contornar essa lei assinando contratos profissionais. Em tempos, Guilherme Aguiar, comentador do programa O Dia Seguinte, disse: “Os verdadeiros títulos do futebol juvenil acontecem quando um jogador chega à equipa sénior.” – Concordo inteiramente com esta visão, de que interessa garantir títulos nacionais se depois não há jogadores formados no clube na equipa sénior?

A Liga Zon Sagres é a terceira no ranking europeu com mais jogadores estrangeiros (56.4%), atrás de Inglaterra e Chipre. Este indicador demonstra como caminhamos para o abismo e Rui Jorge, seleccionador nacional sub-21, expressou ao jornal Publico as suas reservas e preocupações: “Temos dificuldades em encontrar jogadores portugueses.”

Dos 481 jogadores seleccionáveis para a selecção sub-21 apenas seis (!) jogaram mais de 90 minutos na Liga Zon Sagres. Na última convocatória de Rui Jorge, apenas 6 dos 23 jogadores actuam na Liga Zon Sagres, outros 6 no estrangeiro e, finalmente, 11 jogam nas divisões secundárias de Portugal.

Na convocatória de Paulo Bento para o Portugal-Espanha, 8 dos 18 convocados (44.4%) foram formados no Sporting Clube de Portugal. O Sporting CP é a fonte do futebol português e a forte aposta na formação deveria ser a referência para outros clubes. Porém, enquanto Sport Lisboa e Benfica e Futebol Clube do Porto actuarem como se estivessem acima da crise, julgo que não vão seguir o exemplo do "Barcelona de Portugal". O Sporting CP é um projecto que tem tudo para dar certo, no entanto, a miopia desportiva, as decisões erradas e a consequente falta de troféus faz com que os jovens jogadores queiram mudar-se antes de atingir a maturidade e as medalhas, retirando o mérito e o valor à aposta do clube: a Formação.

Até quando vão os clubes e os responsáveis pelo futebol português assobiar e olhar para o lado? Se queremos selecções nacionais competitivas e um campeonato com o qual nos identificamos, é tempo de tomar decisões e perder a apetência pelos tiros nos pés.